Compartilhamento de postes é solução contra excesso de fios e cabos e melhoria dos serviços de telecomunicação

Provedores de Internet e operadoras de telecomunicações, de concessionárias de energia elétrica e associações de classe discutirão formas de compartilhar os espaços para reduzir custos e acabar com o emaranhado de cabos que se tornou problema nas cidades brasileiras

Emaranhado de fios nos postes, muitos deles pendurados sem utilidade alguma. Nos últimos anos esta cena tem sido comum nas cidades brasileiras, contribuindo para a poluição visual e colocando em risco a segurança da população. A princípio, a impressão que fica é de serviço mal feito pelas concessionárias de energia elétrica, operadoras de telecomunicações e provedores de internet.

Mas a questão é mais grave do que isso e envolve, além de fiscalização aquém da necessária, um modelo de negócios que não consegue atender a alta demanda das empresas do setor. Com o objetivo de encontrar soluções para este problema, será realizado o 1º Workshop RTI de compartilhamento de Postes como parte da NETCOM 2019, evento dos setores de Telecom e Tecnologia da Informação (TI), que acontecerá na Expo Center Norte em São Paulo, de 27 a 29 de agosto.

O 1º Workshop RTI de compartilhamento de Postes está marcado para o dia 29, das 9h às 18h, e terá como moderador, Marcius Vitale, CEO da Vitale Consultoria, coordenador do Grupo de Infraestrutura de Telecomunicações do Sindicato dos Engenheiros do Estado de São Paulo (Seesp) e Presidente da Adinatel (Associação dos Diplomados do Instituto Nacional de Telecomunicações). Haverá palestras e debates com a participação de representantes de associações de classe e empresas como Abrint, Abranet, Abramulti, Anatel, Seesp, FNE, Enel, Cemig, e também do Ministério da Economia.

Vitale explica que o problema começou após a privatização do sistema de telefonia no Brasil. Apesar dos indiscutíveis avanços, o processo possibilitou a entrada de inúmeras empresas no setor, porém, o espaço disputado para a instalação de cabos é insuficiente para atender a demanda. Antes da privatização havia, basicamente, uma empresa de telecomunicação em cada estado e concessionárias regionais de energia elétrica.

“Hoje, o Brasil tem quase 10 mil empresas nos setores de telecomunicações e internet. Localidades, como a região da Vila Olímpia, em São Paulo, contam com cerca de 70 operadores passando cabeamento em um espaço minúsculo, muitas vezes sem ao menos ter o projeto aprovado”, conta o especialista.

Pelas normas vigentes, a parte mais alta dos postes é usada para fixação de cabos elétricos. Abaixo, ficou determinado um espaço de 500 milímetros (meio metro), com cinco pontos de fixação de cabos de telefonia, internet e TV por assinatura. O problema está nesses 50 centímetros.

Com apenas cinco pontos de fixação, como fazer para que tantas empresas sejam atendidas? Autorizadas pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) a operarem, mas sem um ponto específico para instalar cabos, muitas operadoras têm seus projetos reprovados, mas instalam assim mesmo. Quando a fiscalização descobre, os fios são cortados. Daí o cenário de relaxo e abandono que, além de deixar as ruas mais feias, pode gerar acidentes, pois muitos fios ficam com uma de suas pontas sobre as calçadas.

“A solução está no compartilhamento desses pontos e no aproveitamento das tecnologias atuais. Há microdutos que suportam até sete microcabos de fibra óptica. Ou seja, o mesmo espaço pode ser usado por várias operadoras em conjunto e os custos com taxas e manutenção podem ser divididos entre elas. Mas há muita dificuldade para um acordo, porque existe o receio de que o funcionário de uma empresa possa cometer algum erro que prejudique as demais, enfim, também é preciso que haja regras que possibilitem controlar as relações entre os envolvidos”, enfatiza Vitale.

Subsolo – Segundo Marcius Vitale, parte do problema poderia ser resolvido com a instalação de cabos em dutos, mas como os municípios não contam com regras claras, a ocupação do subsolo tem sido feita de forma desordenada e está igualmente congestionada. Sem contar o fato de que os municípios não têm muito poder de regulação nessa área e pouco podem fazer. “Isso tem que ser resolvido porque a Internet 5G e a Internet das Coisas estão para chegar. Essas tecnologias precisam de uma estrutura bem estável para funcionarem corretamente”, alerta Vitale.

Fonte: Segs.com.br

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