A importância do reforço de rede em Projeto e Execução de Redes Ópticas

Em nossas atividades de construção de redes muitas vezes nos deparamos com situações de dúvida sobre a capacidade dos postes em resistir ao esforço mecânico que está sendo aplicado. Os executores não me deixarão mentir! Principalmente os mais antigos, que relatam um certo “frio na barriga” ao ver a cordoalha cantando ao ser tracionada em algumas situações.

Pois é, a análise dos componentes estruturais de rede de distribuição é indispensável para um bom projeto de compartilhamento, visto que a instalação da rede de telecomunicações provocará a condição de estabilidade dos postes, acarretando em novos esforços mecânicos. Com a aplicação de trações para engastamento de cabos, cordoalhas e instalação de componentes, o dever do projetista é garantir que todas as estruturas da Concessionária suportem os esforços resultantes, tanto da rede elétrica, quanto da rede dos ocupantes, incluso a rede que almejamos instalar.

Quando a condição de estabilidade não é garantida, será necessário a elaboração de projetos de readequação de rede, utilizados quando não existe possibilidade de engastamento ou até passagem de componentes de rede em uma determinada estrutura, exigindo-se assim a troca ou substituição da mesma. Outros requisitos de troca de poste podem ser também para cumprimento de requisitos técnicos, como altura de fixação de cabos, ou mesmo altura no meio do vão para travessias de rodovia, ruas e avenidas, prolongamento de posteamento

Os projetos de reforço de rede não podem ser executados pela equipe de execução da operadora, sendo necessária a contratação de empreiteira especializada ou até mesmo por meio da concessionária local. A participação financeira do interessado é indispensável, e na maioria dos estados brasileiros existe participação financeira da concessionária, que arca com uma parte dos custos da obra como forma de compensação pela benfeitoria recebida.

Os processos de incorporação de rede geralmente possuem prazos de execução longos, que dependem de área de atuação (se é rede urbana ou rural), se a execução será realizada de forma particular (contratação de empreiteira especializada) ou com a concessionária, cujo prazo para entrega de serviços poderá chegar a 150 dias.

A documentação de projeto é composta basicamente por: pranchas dos locais contendo dados sobre a obra, croquis de situação e implantação, ART, Lista de materiais e cronograma de execução.

Existem situações onde o interessado poderá solicitar a troca de postes diretamente com a concessionária, quando os mesmos apresentarem trincas, rachaduras que possam comprometer sua resistência nominal, ficando as executoras de rede com o dever de avisar a concessionária sobre esse tipo de ocorrência ANTES de ocupar os postes.

É muito importante que o gestor de redes tenha conhecimento das informações relativas aos processos de incorporação da concessionária local, para que não ocorram surpresas quando houver a necessidade de se contar com esse tipo de implantação. É indispensável a leitura dos Manuais Técnicos de cada concessionária, bem como uma consulta ao setor de Obras correspondente.

Eloi Piana – Engenheiro Eletricista Formado pela Unioeste, Diretor da empresa Instelpa Engenharia Elétrica, certificado em Projeto e Execução de Redes Ópticas. Via: IspBlog

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