Tráfego global de Internet dispara, mas ainda não há gargalos

Aviões são aterrados, fábricas fechadas e cidades em confinamento. No entanto, os dados, a força vital da economia moderna, continuam fluindo. Temores de que as redes de comunicação falhariam em momentos de maior necessidade se mostram infundados diante do aumento do tráfego de Internet para níveis recordes. Provedores de banda larga se adaptam ao novo mundo do trabalho remoto, aulas em casa, famílias que mantêm contato por meio do FaceTime e grupos de crianças que transmitem canções de ninar. Ao que parece, o setor pode lidar com a turbulência provocada pelo coronavírus sem grande intervenção estatal.
E o setor de telecomunicações, que na Europa foi o segmento com o pior desempenho na bolsa ao longo de uma década, parece uma das apostas mais seguras para investidores em pânico.

As oscilações na demanda foram grandes e repentinas. Na Espanha, a atividade de jogos on-line quase triplicou na semana passada, quando escolas foram fechadas, enquanto o uso do WhatsApp multiplicou por sete. No Reino Unido, a BT disse que o tráfego diurno aumentou 60%, atingindo o pico durante as conferências de imprensa diárias do primeiro-ministro Boris Johnson sobre a pandemia.

O tráfego noturno do site da Amazon.com na Itália quadruplicou de uma média de 5 gigabits por segundo antes do surto de coronavírus para cerca de 20 gbps nesta semana, devido ao salto das compras on-line, segundo pessoas a par dos dados. O volume de dados de telefonia fixa da Telecom Italia aumentou mais de 90%, e o de dados móveis mais de 30% desde que o país entrou em bloqueio.

“Uma séria interrupção das redes italianas devido ao aumento do tráfego da Internet na semana passada é um cenário muito improvável para o país, mesmo que não seja impossível”, disse o presidente do órgão regulador de comunicações da Itália, Angelo Cardani, em entrevista por telefone.

Desconfiados de que o caos em outros setores possa se espalhar para a indústria de comunicações, na quarta-feira o comissário para o mercado interno da União Europeia, Thierry Breton, pediu às plataformas de streaming que parem de distribuir vídeo de alta definição e aliviem a pressão nas redes. Netflix e YouTube, do Google, responderam prometendo limitar as taxas de bits de streaming.

Agências governamentais que supervisionam o setor de comunicações dizem que estão dispostas a permitir que provedores de banda larga coloquem plataformas de vídeo e jogos, que consomem muita largura de banda, em uma faixa lenta de dados para priorizar o tráfego mais importante quando as redes correm risco de sobrecarga. A prática é proibida em épocas normais sob as chamadas regras de neutralidade da rede, elaboradas para garantir igual tratamento para todos usuários da Internet.

Empresas de telecomunicações precisariam informar reguladores caso recorressem à limitação de dados. Ainda não há sinal disso.

(Bloomberg/Uol)

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